terça-feira, 11 de outubro de 2016

Com a queda dos juros renda fixa perde importância

Apesar de ser uma aplicação sempre segura, se desconsiderarmos os riscos de crédito e de mercado, a Renda Fixa deixa de ter todo o apelo que teve nos últimos trimestres. As taxas estão caindo e isso traz duas vantagens para a bolsa: com taxas menores os retornos reais das aplicações ficam menores e menos atraentes e os preços das ações tomam impulso.

O gráfico abaixo mostra a melhoria das expectativas de inflação, medidas pelas inflações esperadas para 2016 (vermelha) e 2017 (verde) pelos contribuidores do sistema de expectativas de inflação do BC:



A partir de do momento em que a inflação começou a cair, puxada para baixo pelo dólar e pelas chuvas, que fizeram os alimentos caírem e pela melhora das expectativas, a inflação esperada começou a cair. O IPCA esperado para o ano que vem está em 5% e provavelmente ficará por aí. Como a nossa inflação é muito persistente, por conta da indexação e da forte participação de mercados oligopolizados nos preços, cair abaixo dos 5% após dois anos de inflação elevada é pouco provável.

Em função disso trabalhamos com um cenário no qual o BC pode derrubar os juros até o limite de 10,5% - 10%. Com um a inflação de 5%, isso daria algo como 4,8% de juros reais, um patamar bem baixo para os padrões brasileiros. Veja o gráfico abaixo:



A linha verde é a da taxa Selic, determinada pelo BC e que ser para remunerar as operações dos bancos com títulos públicos. Ela ajuda a determinar todo o complexo de taxas de juros praticadas no mercado. A linha vermelha é a da taxa de juros reais ex ante. Calculei levando em conta os juros dos CDB´s de um ano[1] descontados da inflação esperada para os próximos doze meses pelos contribuintes do sistema de expectativas do BC.

Note que os juros reais acompanham bem a taxa SELIC[2] e o mínimo que eles atingiram foi entre o período de outubro de 2011 a julho de 2014 e houve uma enorme gritaria no mercado. O BC foi acusado de atender às pressões do governo para baixar os juros e ser responsável pelo aumento da inflação que se seguiu.

Os 4,8% que projetamos para uma queda de até 10% na SELIC é, portanto, um valor para lá de baixo para a situação brasileira. Mas já representará uma enorme queda dos 7% atuais. Os aplicadores em renda fixa perderão boa parte da atratividade que existe nas aplicações, pois terão metade do rendimento que tinham alguns meses atrás. Receberão uma remuneração real líquida de pouco mais de 0,3%,

A partir desse cenário as ações passam a ganhar valor. A queda dos juros reais faz o valor presente das empresas subir. Os retornos esperados para o futuro (os lucros das empresas) são descontados a taxas menores. Com descontos menores o seu valor no presente aumenta. Em um exemplo: um lucro esperado de R$ 100 para 2020 tinha um valor presente de R$ 73,50 seis meses atrás. Hoje esse lucro está em R$ 76, com um aumento de 4%. Com a queda dos juros reais para 4,8%, ele sobre para R$ 83, com um aumento de 9%. Mas como as ações são calculadas a partir de um prazo muito maior do que quatro anos, os impactos dos juros reais sobre o seu valor presentes são muito maiores. Se uma ação vale R$ 100 quando a taxa de juros reais está em 8%, quando a taxa cai para 4,8%, a ação pode até 70%. Esse é o efeito que podemos esperar para a valorização das ações apenas como resultado da queda dos juros reais.

Se levarmos em conta que os riscos também cairão e que a taxa de crescimento esperada para os lucros também melhorará, as ações assistirão uma retomada muito forte.

Em função disso é que afirmo que as aplicações em renda fixa perdem espaço para as ações. Evidentemente nem toda sua poupança deve ir para ações e, tampouco, para qualquer ação. Você deve manter uma boa soma em papéis seguros (títulos do tesouro ou CDBs) mas deve aumentar bastante sua aposta em renda variável. Há oportunidades enormes no mercado e acredito que nossa Carteira Recomendada cobre boa parte delas. (https://www.newf.com.br/analises/carteira-recomendada/ )